<$BlogRSDUrl$>

sábado, novembro 01, 2003

Plenário Nacional de Vigilantes da Natureza -- Desafio de participação 

Caros colegas Vigilantes da Natureza do ICN e das CCDR's

Os Vigilantes da Natureza estão numa encruzilhada fundamental para o seu futuro, as suas Nobres Funções, a sua carreira e o seu estatuto específico estão a sofrer do perigo de que muitas espécies padecem, o perigo de extinção.

Cabe aos Vigilantes da Natureza, como cidadãos empenhados num melhor futuro para Portugal e como profissionais dedicados e empenhados, contribuir para que tal não aconteça.

Devem sim, contribuir como até aqui têm feito, com muito esforço pessoal, para que a situação de penuría, desmotivação e desinvestimento seja alterada, pois como por todo o MUNDO, esta é uma profissão cada vez mais importante, reconhecida e valorizada.

Na época em que estamos, o Plenário Nacional no dia 04/09 em Lisboa, assume uma importância extrema, devendo todos participar nele quase com um sentido de obrigação ou mesmo dever, pelo que devem preparar propostas ou ideias que tenham, para serem discutidas em publíco, entre todos e não como muitas vezes acontece, em pequenos grupos, pelos cantos e em surdina.

Assim, cá fica este desafio, que provávelmente não seria necessário, mas que mesmo assim è sempre útil o mesmo ser feito.

Um abraço e desejos de sucesso a todos.

sexta-feira, outubro 31, 2003

Comentário --- “Vigilantes da Natureza – Que Futuro?”  

Francisco Correia*

A situação dos Vigilantes da Natureza tem tendência a piorar devido ao esvaziamento de atribuições anteriormente exercidas pelo MCOTA.

Com a criação da Secretária de Estado das Florestas, a maioria das atribuições, se não todas, passam para esta Secretaria de Estado.

As funções de fiscalização ambiental passam para esta Secretaria. E aos Vigilantes da Natureza que atribuições lhes estão destinadas?

Será que o velho sonho de maioria dos dirigentes do MCOTA, principalmente os do ICN, de nos transformarem em moços de recados se vai concretizar?

Não estará o presente e o futuro dos Vigilantes da Natureza condenado à extinção?

Tem-se falado muito da vitória do Ministro do MCOTA por este ter impedido a passagem das Áreas Protegidas para a alçada da Secretaria de Estado das Florestas, o que de bom se conseguiu se as atribuições da fiscalização do ambiente passaram para este organismo?

Recebido em 31/10/2003

*Vigilante da Natureza, ICN, P.N. Sintra-cascais
Vice-Presidente da APGVN
Representante da Europa na INTERNATIONAL RANGER FEDERATION
Contacto franciscosemedo@hotmail.com



quinta-feira, outubro 30, 2003

----- Extinção dos Vigilantes da Natureza -----  


Pedro Almeida*

Antes de mais deixa-me dar os parabéns pela criação deste Blog. Antes disto eu nem sabia o que era um “Blog” e penso que se irá tornar bastante útil para a comunidade de Vigilantes.

Sou Vigilante da Natureza em serviço na CCDR Centro (ex-DRAOT}, sendo que a polémica que se atravessa agora afecta, directamente, os colegas do ICN, indirectamente também nos afecta a nós, sendo a nossa união o que trará a força. Isto porque estamos a perder e vamos perder cada vez mais áreas de actuação, o que levará, de forma gradual, à nossa “extinção”.

Isto é um facto bastante preocupante, porque, além de ainda ser estagiário, dá-me a sensação de que estarei prestes a pertencer a um corpo que poderá vir a ser extinto, ou sabe-se lá quais serão as alternativas.

A GNR está, a cada dia que passa, mais em graças para com o poder político e a comunicação social, sendo, tal como o Nuno disse, uma força de repressão ao contrário de nós, que somos de sensibilização e educação ambiental.

Não me quero alongar muito para já, só quero deixar aqui no ar uma crítica à Associação, isto porque preenchi uma folha de adesão a sócio desta, mas não obtive nenhuma resposta e isto já foi em Fevereiro deste ano! Será por pertencer às CCDR (ex-Draot}, ao invés de pertencer ao ICN, ou haverá outra razão? Sinceramente não entendo, porque se já somos poucos, então vamo-nos unir para conseguirmos chegar a algum lado!


*Vigilante da Natureza, CCDR - Centro,
contacto - duvalle@guiaviseu.com
Recebido em 30/10/2003


terça-feira, outubro 28, 2003

A Direcção da Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza, onde está? 


Em todos os niveis da sociedade portuguesa, politicos, particulares e ONGA's, se levantam vozes contra a integração do ICN, ou da tutela das Áreas Protegidas, na Secretararia de Estado das Florestas e consequentemente no Ministério da Agricultura.

Sendo a Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza uma ONGA com interesse especial no assunto, pois nasceu no âmbito do ICN, tambem devido ao facto de uma grande parte dos associados serem funcionários do referido instituto, já deveria ter assumido uma posição pública clara, qual è pois a sua posição relativamente a esta questão?

Concorda?
Não concorda?
Quais as soluções ou alternativas que propôe e defende?

Fica aqui um apelo aos colegas para serem corajosos e manifestarem com independência a sua opinião.

Os responsáveis do ICN já sabiam?? 

Os parques e reservas naturais e as áreas de paisagem protegida do país estiveram desde sempre sob a responsabilidade directa do ministério com a tutela do Ambiente. O ministro Amílcar Theias, no entanto, terá sido ultrapassado pela ideia de passar, agora, esta responsabilidade para a nova Secretaria de Estado das Florestas. Os dirigentes das áreas protegidas terão já sido informados desta mudança pelos próprios serviços centrais do Ministério das Cidades. Mas Amílcar Theias, segundo fontes do ministério, ainda tentará fazer valer a sua opinião no Conselho de Ministros.

Noticia jornal "Público" de 28 de Outubro de 2003

Vigilantes da Natureza no Ministério da Agricultura 

Com a possível integração do ICN na Secretaria de Estado das Florestas e consequentemente no Ministerio da Agricultura, levanta-se a questão do que acontecerá aos Vigilantes da Natureza.

Os Vigilantes da Natureza do ICN, são dos poucos profissionais que dentro do mesmo, inclusive no interior do Ministério do Ambiente, detêm um estatuto próprio que advem do facto de possuirem uma carreira específica, o que deixa apenas três alternativas a estes profissionais:

1ª. - Integram o Corpo nacional da Guarda Florestal, passando a Guardas Florestais
2ª. - Mantêm-se como Vigilantes da Natureza e passam para as ex-DRAOT's
3ª. - Abandonam a carreira de Vigilantes da Natureza e integram outras carreiras.

Desta vez os Vigilantes da Natureza do ICN vão ter que optar e assumir posições claras, quanto ao que querem para o seu futuro e para o futuro desta tão nobre carreira.

I.C.N. na Secretaria de Estado das Florestas 

Como se suspeitava mas como também era de esperar, está parcialmenta dado como facto concreto que o ICN irá ser integrado na Secretaria de Estado das Florestas.

Isto deve-se em primeira instância à inoperância do Instituto, à falta de resultados concretos e verificáveis no "terreno", à sua quase dedicação à produçao de estudos sem serem aplicados e com gastos de Milhões beneficiando alguns curriculos, mas tambem devido à visão de que todos os problemas devem ser tratados com parcimónia e apenas com "panos quentes" em vez de serem enfrentados de frente, com o objectivo de serem efectivamente resolvidos.

È preocupante no entanto que o mesmo seja inserido numa Secretaria de Estado onde o seu representante máximo vem do lobby florestal, tendo sido responsável de uma celulose, mas devido tambem ao mau exemplo que tem sido o Ministério da Agricultura, do qual depende, na abordagem das questões do ambiente e da conservação da natureza que inclusive levaram à desgraça que foram os incêndios.

A falta de capacidade destes serviços em lidarem com as questões do ambiente e da conservação da natureza fica bem patente na abordagem que fazem da Reserva Ecológica Nacional, onde tudo autorizam e inclusive financiam com fundos comunitários, pois apenas têm uma visão de produção e de realização monetária.

segunda-feira, outubro 27, 2003

Bases de dados de legislaçao 

Os Vigilantes da Natureza tem na legislaçao nacional e comunitaria um instrumento de trabalho bastante utilizado e sendo tambem do conhecimento geral que frequentemente a mesma nao se encontra ao seu dispor, assim, um dos recursos alternativos sao a utilizaçao de bases de dados na Internet, pelo que a seguir se indicam 3 Sites.

Legislaçao de Ambiente: http://www.diramb.gov.pt/

Legislaçao diversa: http://www.digesto.gov.pt/Digesto2/

Legislaçao da funçao publica: http://www.fnsfp.pt/legis/index.htm

O link da legislaçao da funçao publica faz parte do Site da Federação Nacional de Sindicatos da Funçao Publica, onde se pode encontrar informaçao diversa, inclusive sobre questoes relacionadas com os Vigilantes da Natureza, sendo este o seguinte: http://www.fnsfp.pt/

domingo, outubro 26, 2003

Comércio de Espécies Selvagens na União Europeia 


Existe na Internet um sitio com informação, em várias línguas, sobre o comercio de espécies selvagens. Contem informação variada e muito útil, sobre toda a problemática relacionada com esta matéria, onde inclusive se podem levantar questões e fazer perguntas de esclarecimento.

Nomeadamente:
Legislação Nacional e Internacional
Licença
Bem-estar
Criação
Marcação e rotulagem
Etc..

O Link para a página em português è: http://www.eu-wildlifetrade.org/html/pt/intro.asp


Noticia sobre o lince ibérico em Portugal. 

De novo no rasto do Lince-ibérico!

Recentemente têm vindo a público notícias sugerindo que o lince se teria extinguido em Portugal. Porém, uma equipa da Faculdade de Ciências de Lisboa acaba de reencontrar a espécie no nosso País.

Profª Margarida Santos Reis, Centro de Biologia Ambiental da Fac. Ciências de Lisboa (27-03-2003)

Uma equipa do Centro de Biologia Ambiental, unidade de investigação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, possui agora a prova incontestável de que o lince Ibérico ainda existe em território nacional.

O lince Ibérico (Lynx pardina Temminck, 1824) é o único grande mamífero endémico da Península Ibérica e foi na última década considerado pela União Internacional para a Conservação da Natureza como o felídeo mais ameaçado do mundo (Nowell & Jackson 1996) estando classificado como criticamente em perigo.

Outrora com uma vasta área de distribuição geográfica, tanto em Espanha como em Portugal (Rodriguez e Delibes 1990), no século XX enfrentou o declínio e a área de distribuição foi-se progressivamente restringindo a bolsas populacionais dispersas sobretudo pelo sul da Península com um número estimado de indivíduos muito variável. Pode dizer-se que o lince pagou caro a sua história evolutiva que se traduz numa elevada especialização em termos de habitat (matagal mediterrânico) e presas (o coelho-bravo, Oryctolagus cuniculus) e não se adaptou às novas paisagens geradas pelo homem nem a recursos alimentares alternativos.

As décadas de 40 e 50 foram anos negros para o lince pois sucederam-se as campanhas do trigo, que devastaram vastas áreas de habitat favorável, e a mixomatose, patologia que dizimou as populações de coelho-bravo. Desde então sucederam-se outros desiquilibrios igualmente induzidos pelo homem, como a destruição de outras áreas naturais para plantação de espécies florestais mais rentáveis economicamente (pinheiros e eucaliptos) e a introdução de uma nova patologia (a febre hemorrágica viral) tão drástica para os coelhos como a mixomatose e relativamente à qual tem um efeito cumulativo. Perante este cenário, o lince jamais conseguiu recuperar e nos anos 80 já era notícia a estimativa de apenas 50 indivíduos em território nacional distribuidos de forma desigual pelas áreas da Malcata, Vale do Sado, Contenda-Barrancos e Serras Algarvias (Palma 1980, Castro e Palma 1996).

Apesar deste cenário que já prenunciava uma situação critica para a espécie, apenas nos finais da década de 90 foi assumida a preocupação nacional com a espécie e foi promovida uma avaliação da situação populacional do lince (Programa Liberne – Instituto de Conservação da Natureza). Os resultados dessa avaliação (Ceia et al. 1998), baseada em métodos – inquéritos orais validados e indícios de presença - consensuais no estudo de mamíferos de hábitos elusivos e em situação de baixa densidade (Wilson et al. 1996), vieram confirmar o declínio generalizado da espécie ainda que identificassem outras áreas de ocorrência da espécie para além das já mencionadas (Malcata, São Mamede, Vale do Sado, Vale do Guadiana e Algarve Odemira) e um efectivo populacional dentro do valor proposto por Palma (1980). De ressaltar ainda a estreita ligação de alguns destes núcleos com áreas de ocorrência da espécie em território espanhol (Rodríguez e Delibes 1996).

Mais recentemente, e na sequência dos avanços tecnológicos no domínio da biologia molecular que permitem a identificação da espécie a partir de ADN extraído de amostras fecais, o Instituto de Conservação da Natureza (ICN) apostou nesta nova metodologia e intensificou a recolha de potenciais excrementos no terreno e a respectiva análise (Pires e Fernandes 2001). Os resultados não foram animadores e suscitaram a necessidade de efectuar uma nova avaliação da situação populacional do lince.

Em 2002, e numa acção concertada com a Direção Geral de Conservação da Natureza em Espanha (Guzmán et al. 2002), o Instituto de Conservação da Natureza dá então início a um novo censo-diagnóstico à escala nacional mas em que se considera apenas como métodos rigorosos a análise positiva de excrementos mediante técnicas moleculares e registos fotográficos (“armadilhagem fotográfica”) não sendo dada qualquer relevância a avistamentos de animais vivos ou mortos e baseados numa descrição rigorosa da espécie. Os resultados preliminares deste censo (Sarmento 2002), que envolveu uma equipa de cerca de meia centena de técnicos e vigilantes do ICN e um esforço de 98 954 horas de amostragem nas áreas previamente identificadas como áreas de lince (Ceia et al. 1998), foram apresentados no decurso do Seminário Internacional sobre o Lince Ibérico, que decorreu em Andújar (Jaén, Espanha) entre 29 e 31 de Outubro, e a conclusão foi de que os “métodos utilizados não detectaram um único lince em Portugal” sendo “altamente improvável que ainda existam indivíduos errantes” (Sá 2003).. Este facto, conduziu à morte anunciada do lince sendo mesmo noticiado que perdemos o rasto do lince Ibérico.

Afirmações como estas levam a que seja assumida, prematura e precipitadamente, a extinção da espécie em território nacional, tanto mais que os métodos empregues para detectar uma espécie em tão baixa densidade e de comportamento tão discreto são condição suficiente para provar a sua presença mas não o contrário. Ignorar outros indícios de presença e observações de animais vivos e mortos por terceiros é um erro com consequências gravosas na estratégia de conservação da espécie.

É neste contexto que vem agora a lume este novo dado de que a presença da espécie em território nacional está confirmada precisamente através da identificação molecular de um excremento. Uma equipa de biólogos do Centro de Biologia Ambiental desde há quatro anos que procura evidências da ocorrência da espécie na área de implantação do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva. O projecto, que não se centra apenas no lince mas igualmente em outras espécies de carnívoros ameaçados, tem sido financiado pela Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva, S.A. (EDIA, S.A.), e desenvolve-se na área de regolfo (25000ha) da barragem de Alqueva e numa vasta área envolvente (110000ha), distribuindo-se por 15 concelhos do leste alentejano. Esta descoberta não ocorreu na área de regolfo da barragem, mas na área envolvente.

Trata-se de um projecto de monitorização de mamíferos carnívoros no âmbito do Programa de Minimização para o Património Natural e propôs-se acompanhar as diferentes fases de desenvolvimento do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva – pré-desmatação, desmatação, enchimento e pós-enchimento – e gerar propostas de minimização de impactes e de gestão ambiental tendo por base a avaliação da situação populacional das diferentes espécies alvo (lince, gato-bravo Felis silvestris, toirão Mustela putorius e lontra Lutra lutra).

Os métodos utilizados para tentar constatar a eventual presença de linces na área de estudo foram a realização de inquéritos orais para localizar avistamentos, a identificação de áreas mais favoráveis em termos de habitat e presas, e a prospecção intensiva do terreno para identificação de indícios de presença, sendo recolhidos para análise molecular os todos os excrementos cujas dimensões e morfologia sugiram que possam ser de indivíduos desta espécie. Dos seis excrementos enviados recentemente para análise molecular no laboratório da Estação Biológica de Doñana (CSIC, Sevilha-Espanha), um revelou-se positivo. Segundo os técnicos do referido laboratório, que se têm responsabilizado pelas análises de ADN de excrementos recolhidos em Espanha e Portugal, incluindo os citados no censo-diagnóstico, a análise foi repetida várias vezes e o resultado foi sempre idêntico – trata-se de um excremento de lince.

Com o presente achado, os esforços de campo desenvolvidos pelos biólogos Joaquim Pedro Ferreira e Iris Pereira numa área de prospecção tão vasta, foram recompensados e é mesmo caso para dizer que foi possível encontrar a agulha que era procurada no palheiro.

O projecto prosseguirá até ao final do corrente ano e a equipa encontrou entretanto outros excrementos que suspeita serem também de lince e que vão de imediato ser enviados para análise molecular. Este resultado positivo vem reforçar outras evidências (pegadas e informações orais) obtidas anteriormente no decurso dos trabalhos e que já apontavam para a ocorrência da espécie na área de estudo (Santos-Reis et al. 2000).

Renasce então a esperança de que ainda vamos a tempo de salvar uma das espécies mais ameaçadas do mundo e mais emblemáticas do nosso património natural, verdadeiro símbolo do matagal mediterrânico. Será que teremos a coragem de enfrentar este desafio e assumir de uma vez por todas as nossas responsabilidades?

Noticia obtida em http://lynxpardinus.naturlink.pt/

Para mais informações contactar:

Margarida Santos-Reis
Centro de Biologia Ambiental / Departamento de Biologia Animal
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Campo Grande, Edifício C2
1749-016 Lisboa
FAX: 217500028
TELEFONE: 21 7500000 ext 22305
E-Mail: msr@fc.ul.pt

This page is powered by Blogger. Isn't yours?