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domingo, dezembro 28, 2003

Uma pequena leitura, importante para o novo ano de 2004! 

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"Um povo está sempre intimamente ligado ao território em que vive.

Começa por adaptar-se ao meio, procura e obtém alimentos, vestuários, utensílios, cria possibilidades de maior conforto, permuta bens, constrói a rede de comunicações que o relaciona com o mundo circundante, faz nascer uma cultura.

O génio humano impôs equilíbrios à Natureza e ordenou sabiamente o espaço físico, criando novas paisagens nos mais diferenciados lugares geográficos.

O menosprezo dos fenómenos naturais e das consequências de alterações profundas no equilíbrio desses fenómenos levou, muitas vezes, a intervenções que, por um lado, comprometeram a potencialidade produtiva de vastas regiões, fazendo avançar o deserto, e, por outro, conduziram ao consumo irreversível dos recursos naturais renováveis, a uma má gestão dos recursos não renováveis e à degradação do ambiente.

A partir da 2.ª Guerra Mundial, estes inconvenientes agravaram-se, uma vez que, devido à introdução de novas tecnologias e de mais poderosos meios de acção, as intervenções na paisagem passaram a efectuar-se a uma escala e profundidade que era difícil de se imaginar antes daquele conflito.

O crescimento demográfico, por sua vez, criou graves problemas em muitas regiões do Globo, particularmente no domínio da alimentação.

O desbravamento de paisagens primitivas, nos países do chamado Terceiro Mundo, teve em vista um rápido processo de arrancar e exportar riqueza e, por isso, destruiu muitas potencialidades naturais e condenou as populações locais a viverem de magros recursos e da venda de trabalho mal remunerado.

Nos países industrializados e reconhecidos como desenvolvidos, a grande produção de bens cujo consumo depende muitas vezes de uma cadeia de carências artificialmente criada e de sugestões motivadas pela propaganda determinou frequentemente a desvalorização dos bens essenciais e degradações no equilíbrio dos ecossistemas da biosfera e outros que levam a repensar qual é o verdadeiro significado de tal desenvolvimento à luz de um conceito global de «qualidade de vida» do homem.

A urbanização e a construção de unidades fabris ocupou vastas áreas, comprometendo o equilíbrio biológico da paisagem e a própria dinâmica da Natureza.

Os processos industriais e outros poluíram os elementos essenciais à vida e os resíduos não são em grande número de casos recuperados biologicamente, ou por outra forma.

A fauna e a flora silvestres foram severamente atingidas e a exploração de muitos recursos naturais levada até à exaustão.
O ambiente em que o homem foi obrigado a viver transformou-se radicalmente e atingiu-o nos aspectos físico, social, económico e cultural.

Portugal é hoje afectado, com maior ou menor intensidade, pelos problemas descritos.

As construções alastram pelas áreas periféricas das grandes cidades, destruindo a paisagem existente, sem se atender a condicionalismos biológicos e físicos, que deviam ser mantidos.
São erigidos enormes edifícios, dormitórios de gente que trabalha a grandes distâncias, traçam-se loteamentos a perder de vista e surgem bairros clandestinos de marginalizados. Criaram-se, assim, situações que estão longe de permitir o progresso das comunidades e o bem-estar das pessoas.

A forma anárquica muitas vezes verificada no crescimento urbano tem por objectivo, exclusivamente, um lucro fácil e rápido conseguido através da transformação do baixo valor do solo de uso agrícola no preço elevado do mesmo solo como urbano, diferença tanto maior quanto mais elevada for a concentração demográfica consentida. Desta forma, à falta de saneamento e equipamento há que juntar a inexistência de espaços e canais libertos de construções ou de vias, onde a Natureza tenha o seu lugar, como presença indispensável na paisagem.

Os cursos de água estão quase todos poluídos pelos esgotos urbanos ou fabris e o escoamento da água das chuvas está em muitos casos prejudicado, de forma a provocar, por vezes, cheias evitáveis.

Nas regiões rurais a falta de programas coerentes de exploração e de comercialização dos produtos, a inexistência de uma mecanização adequada ao relevo e à compartimentação, de infra-estruturas indispensáveis (saúde, educação, vias rurais, electrificação, saneamento básico, recreio, etc.) e de um conforto mínimo, provoca o abandono das aldeias e dos campos, agravando o problema urbano. A construção indisciplinada de habitações pelos emigrantes que adquiriram um pequeno pecúlio não se integra num processo coerente de desenvolvimento local, antes pelo contrário, desvirtua sítios e paisagens.

A degradação do solo e a alteração do regime hídrico, aspectos especialmente graves na zona do País de características mediterrânicas, motivadas pela plantação extrema de espécies exóticas, a realização de culturas e práticas agrícolas depauperantes do solo, o arranque indiscriminado de azinheiras e a destruição do montado de sobro devido à plantação de eucalipto no seu interior são problemas graves da paisagem e do ambiente que devem ser combatidos imediatamente.

A política do ambiente a promover em Portugal deverá, assim, ocupar-se, por um lado, da organização dos espaços e do ordenamento da paisagem, segundo critérios ecológicos, sociais e culturais, e, por outro, da resposta a dar ao desafio que as actuais possibilidades da técnica, o crescimento demográfico e as novas realidades de ocupação de espaço físico lançaram.

Ao Governo compete estabelecer essa política, devendo objectivá-la nos termos dos princípios expressos na Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente, reunida em Estocolmo em Junho de 1972.

A criação no Ministério do Equipamento Social e do Ambiente do cargo de Secretário de Estado do Ambiente e dos organismos previstos neste decreto-lei vem permitir:

1) A coordenação efectiva, através da Comissão Nacional do Ambiente, dos organismos existentes cuja competência abarca problemas do ambiente;
2) O apoio, através dos Gabinetes do Serviço de Estudos do Ambiente, à formulação da política nacional do ambiente do Governo, e por intermédio do Fundo Nacional do Ambiente, aos organismos sectoriais cujos limitados recursos não permitam uma acção suficiente;
3) A constituição, através do Serviço Nacional de Parques, Reservas e Património Paisagístico, de uma estrutura de espaços reservados à presença efectiva da Natureza, à protecção de paisagens e sítios característicos, à salvaguarda da fauna e flora silvestres e aos estudos científicos de interesse, constituindo um sistema para uso, serviço e valorização do povo.

É, portanto, em face de uma realidade, que se estabelece uma estrutura, por um lado, de coordenação e, por outro, de actuação pedagógica e directa através de organismos competentes.

A política do ambiente deve influenciar, através dos respectivos órgãos, todos os empreendimentos e intervenções no espaço físico, desde a sua concepção."


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O texto atrás transcrito reflecte as preocupações que em Portugal, já em 1975, preocupavam os responsáveis políticos da altura.
Este è o preâmbulo da iniciativa legislativa que criou os diversos organismos estatais dedicados, especificamente, à preservação do ambiente e conservação da natureza, sendo onde primeiro aparece a referência e a necessidade da implementação de um Corpo de Vigilantes da Natureza.
Embora com quase 30 anos, è claramente um texto que se mantém actual, parecendo inclusive que até ao presente nunca foi levado seriamente em conta, pois posteriormente à sua publicação, os erros, as omissões e a falta de intervenção, levaram ao rápido depauperar da natureza e à acelerada degradação do ambiente.

O Decreto-Lei em referência è o nº. 550/75 de 30 de Setembro de 1975.





terça-feira, dezembro 23, 2003

Um Natal cheio de diversão e coisas doces. Um Novo Ano de melhor ambiente e pleno de estrondoso sucesso !!!!!!!!!!!! 

A TODOS OS QUE POR AQUI PASSARAM, VÃO PASSANDO, IRÃO PASSAR E NOS APOIAM, O DESEJAMOS !!!!!!!!!!!!








segunda-feira, dezembro 22, 2003

Comentários à notícia de 04/12, do Expresso Online sobre os Vigilantes da Natureza.  

Foram feitos apenas 14 comentários, sendo o título da notícia o seguinte:

"Ministro Amílcar Theias prepara para 2004 - GNR substitui Vigilantes da Natureza"

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Vitor Mango 19:45 4 Dezembro 2003

Pois = TSF não Dorme Noticia
Eis
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RIBEIRA DOS MILAGRES
População mobiliza-se para detectar descargas
A Comissão de Ambiente e de Defesa da Ribeira dos Milagres, em Leiria, garantiu hoje que vai começar a fazer fiscalizações regulares do curso de água durante a noite para prevenir novas descargas de esgotos das suiniculturas.

18:39
04 de Dezembro 03

De acordo com José Carlos Faria, da comissão, a população vai fazer mais vigilância nocturna da ribeira dos Milagres de modo a que os serviços da GNR sejam avisados com maior antecedência de eventuais descargas, permitindo uma melhor identificação dos infractores.
Esta manhã verificou-se uma nova descarga de esgotos de suiniculturas na ribeira, mas os residentes só detectaram o problema tarde demais para que a acção das autoridades fosse eficaz.
José Carlos Faria adiantou que a ribeira tem sido palco de sucessivas descargas de menor dimensão durante a noite. O dirigente associativo acusa os suinicultores de procederem a «despejos regulares» porque não conseguem tratar os efluentes das suas explorações.
A nova descarga sucedeu após a conclusão do acordo com os proprietários das explorações de suínos para a criação de uma empresa privada, a Reciclis, que vai gerir todo o processo de saneamento do sector.

Epicuro 21:59 4 Dezembro 2003

Vigilancia da Natureza
Eis que me dou por ignorante, pois não sabia da existência dessa associação. Quando ocorreram os incêndios de verão, eu não ouvi falar sobre eeses vigilantes, e pelo acontecido, eles não fizeram absolutamente nada para evitar ou ao menos minimizar os fogos florestais. Eu não sei se a GNR será capaz de exercer a vigilância necessária, mas pelo menos terá oportunidade de mostrar mais competência do que a APGVN. De qualquer forma, cabe também à população o papel de fiscalizar e denunciar aqueles que cometem crimes contra a natureza, a exemplo do que fazem os moradores de Leiria.

Taborda 05:28 5 Dezembro 2003

Ora aí está uma boa noticia
E se mesmo assim não chegar, acho bem que ponham lá o exercito.

shaka zulu 08:56 5 Dezembro 2003

como esperava!
É impressionante o que a proximidade das eleiçoes consegue fazer! Surgem medidas populares como esta, o país afinal já está a ficar rico(?), os impostos vão baixar, a gasolina tambem,... vem aí os amanhas que cantam! onde já vi este filme?

Francisco Semedo 11:28 5 Dezembro 2003

Vigilantes da Natureza
Na minha opinião o desconhecimento por parte dos Portugueses da existência de Vigilantes da Natureza no nosso país deve-se ao pouco interesse que os sucessivos governos têm dedicado ao Ambiente. O Ministério do Ambiente sempre foi considerado o parente pobre de todos os Ministérios que constituiram os Governos em Portugal, a sua existência deve-se apenas ao interesse em receber subsidios destinados à Conservação da Natureza que depois são desviados para outros Ministérios que nada fazem pela protecção da Natureza mas que têm uma grande maquina de propaganda junto da Imprensa e que transmite para a opinião pública a ideia que eles são os salvadores do património natural português, o que é falso. Os Vigilantes da Natureza não têm como missâo o combate a incêndios florestais, mas apesar dos reduzidos meios que possuem estiveram a combater os incêndios no interior das àreas protegidas, como não têm uma cobertura mediática e não existe interesse por parte do Governo na divulgação desta profissâo, leva as pessoas a fazer comentários que revelam um profundo desconhecimento da realidade.
Quero ainda lamentar a falta de interesse por parte das ONGA's Portuguesas relativamente a este assunto, tendo sido as ONGA's internacionais e a própria Comissária Europeia a pressionar o Governo Português para a realidade que se vive em Portugal, ou seja, substituir Vigilantes da Natureza por Militares e transferir meios e formação que deviam ser destinados aos profissionais que dedicaram toda a sua vida à defesa do Ambiente não me parece nada correcto e é a demonstração clara que vivemos num país muito atrasado na defesa do Ambiente.

Gambina 15:11 5 Dezembro 2003

Vigilantes da Natureza
Fico muito contente, quando vejo que ainda existem "homens" que lutam pela Conservação da Natureza.
É de lamentar que em pleno século XXI apenas um punhado de homens se interesse pela defesa do Ambiente, defender a Natureza deveria de ser um dever de todos e não a luta constante de só alguns.
Os Vigilantes da Natureza têm toda a minha admiração pelo seu profissionalismo, pela sua dedicação, pelas lutas constantes em prol da conservação da natureza.
É de lamentar que quando morrem aves de rapina no Parque Natural do Tejo Internacional, aves quase extintas no nosso país se dê destaque na televisão ao trabalho de uma ONG e da GNR e não se diga que quem tratou as aves,que quem andou no campo a procurar aves moribundas para as tentar salvar que foram os Vigilantes da Natureza, que nem uma viatura têm para se deslocar.É de lamentar que se dê destaque às ong's na altura do caso "prestige" e quem andou no terreno a recolher aves petroleadas tenham sido os Vigilantes da Natureza.
Penso que o Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, deveria chamar-se Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Cidades, assim ficaria claro que existia alguma preocupação ambiental o que me parece não ser o caso.
Existe uma necessidade urgente de uma nova política ambiental, o ambiente não pode ficar sempre em último lugar, o meu obrigada a todos os Vigilantes da Natureza.
Um Bom Natal !

Helenacachucho 16:05 5 Dezembro 2003

Vigilantes da Natureza
O Ambiente só interessou e mal aos nossos governantes enquanto a Comunidade Económica Europeia deu fundos para resolução de problemas, agora como os fundos estão a acabar e os problemas Ambientais não dão votos, nas eleições legislativas, o governo está-se nas tintas para as Áreas Protegidas e para os Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional (CCDRS)do Ministério do Ambiente. Logo se acabarem com os VIGILANTES DA NATUREZA, para eles até é um alívio, assim sempre se podem desculpar se forem chamados à responsabilidade pelas Convenções Internacionais que não sabem dos problemas existentes. Eu diria mais Os VIGILANTES DA NATUREZA, são elementos fundamentais no terreno para o desenvolvimento de uma politica ambiental (coisa que o nosso governo também não sabe o que é) Agora como pretendem limpar a imagem da GNR, toca de os colocar nas questões ambientais, daqui a algum tempo iremos certamente ouvir falar sobre a corrupão do SEPNA (GNR) no Ambiente

Rako 16:33 5 Dezembro 2003

Vigilantes da Natureza
É de lamentar que algumas pessoas ainda não conheçam os vigilantes da natureza a que digam não os ter visto durante os fogos do Verão! Provavelmente é porque conhecem mal o país, ou então não visitam as áreas protegidas!
Convido essas pessoas a visitarem o Parque Natural do Tejo Internacional e, sugiro, que pessam para acompanhar o trabalho de campo dos vigilantes da natureza em pleno mês de Julho, ou Agosto!

nelpick 16:39 5 Dezembro 2003

Vigilantes da Natureza
O Património Natural de Portugal, ainda é dos mais valiosos da Europa, mas pela forma como o Governo encara a Conservação do Património, leva-me a crer que mais tarde ou mais cedo, vamos perder este estatuto. Nada, até este momento, o Governo fez, em prol da Conservação da Natureza. O unico acto que consta é a redução do Orçamento. Podera, há alguém com mais força e com um objectivo, o lucro imediato. Os Vigilantes da Natureza estão preparados para defender o património e da melhor forma, com todo o profissionalismo, porque assim estão vocacionados, assim foram preparados. Não é de certeza a GNR.

Rako 17:17 5 Dezembro 2003

Vigilantes da Natureza
E, se possível, passem durante o fim de semana!

olharcritico 18:12 5 Dezembro 2003

Boa notício acabem com os Guardas da Natureza e com o ministério do Ambiente virtual, onde o ministro tem dinheiro para gastar em empresas de imagem, mas corta dos serviços. Muito bem!

Taborda 19:51 5 Dezembro 2003

Vigilancia bem feita era cada corporação de bombeiros ter um helicoptero que só parava no verão para reabastecer, em vez das carradas de F-16 que não nos servem para nada.
Era até uma boa solução...criar uma linha de montagem para helicopteros e corvetas de vigilancia. Quando estivessemos servidos, começavamos a vender ao estrangeiro.

nujoroca 01:23 6 Dezembro 2003

Vigilantes da Natureza, o que são?
Por muitos dos comentários efectuados, se verifica que a santa ignorância ainda è venerada em Portugal, quem desejar melhor se informar sobre os Vigilantes da Natureza,as suas áreas de actuação e os problemas que enfrentam, pode consultar o BLOG com o seguinte endereço: http://vigilantes-da-natureza.blogspot.com/
Desejo a todos uma boa morte à ignorância!!

Taborda 07:54 7 Dezembro 2003

Caro nujoroca
Não são as pessoas que são ignorantes...são vocês que fazem tão pouco que nem se dá pela vossa existencia.

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Link da noticia - http://online.expresso.pt/home/interior.asp?id=24741723

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